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Edgar Allan Poe
nasceu em Boston, em 19 de janeiro de 1809. Sua família paterna era
de origem irlandesa, enraizada em Baltimore, onde conquistara postos
entra as melhores famílias da região. Seu avô, David Poe, tinha
feito a Guerra da Independência. Fora "Quartel-master-general"
de Lafaiete, que lhe atribuiu mandatos importantes, dispensando-lhe
estima e admiração. O filho mais velho também se chamou David e
se fez herdeiro dos espírito de aventura, que conduzia seu pai às
trincheiras, sob o comando do general francês. Apaixonando-se pela
atriz inglesa Elizabeth Arnold, mulher de estonteante formosura,
David rompera todos os laços de família, casando-se e fazendo-se
ator também para percorrer todas as cidades norte-americanas com
sua "troupe".
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A vida errante não
lhe concedeu nunca os indispensáveis recursos de vida. Breve o
casal tinha dois filhos: Willian e Edgar. Pouco mais tarde o
nascimento de Rosalie comprometerá a saúde materna, já
comprometida pelos sacrifícios da existência incerta um pouco
vagabunda, feita de imprevistos cruéis e de misérias implacáveis.
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Com vinte e quatro
anos apenas Elizabeth morre, então, deixando David enfermo.
Tuberculoso e sem recursos imediatos, ele deveria acompanhá-la
breve, deixando os três filhos em extrema penúria.
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Mas os órfãos
encontraram obrigo nas famílias de Richmond. Edgar fora adotado
pelo rico casal John Allan e Frances Keeling Allan.
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Edgar estudou na
juventude na Inglaterra, no colégio Stoke-Newington, de Londres.
Era um velho edifício sombrio e gótico. Mais tarde, de volta à
Richmond, Poe continuaria seus estudos na Universidade de
Charlotteville. Desde cedo, Poe se mostrara um rapaz extremamente
inteligente e genioso, motivo esse que o levaria a ser expulso da
Universidade. Edgar era filho da paixão sem disciplina e do espírito
largo da aventura, explica Baudelaire, seu mais fiel entusiasta.
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Edgar Allan Poe
era um jovem aventureiro, romântico, orgulhoso e idealista. Aperfeiçoou
seus estudos na Universidade de Virgínia, mas com não seguia os rígidos
padrões da época, foi expulso da Universidade. Poe era um boêmio
que se entregava à bebida, ao jogo e às mulheres. Homem de ação
forte, também era um homem de devaneio.
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Vivia no luxo e
cultivava o amor vadio. Seguindo os passos romanescos de Byron, mais
tarde Poe foi para a Grécia e alistou-se no exército lutando
contra os turcos. Como todos os jovens da época, Poe sonhava com as
glórias militares. Mas aventura acabou saindo muito caro. Perdido
nos Bálcãs, sofrendo ônus terríveis no percurso, acaba chegando
na Rússia sem documentos e sem dinheiro. Acaba sendo repatriado
pelo cônsul americano, mas em seu retorno, descobre que sua mãe
adotiva a quem devera tudo, havia morrido.
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Na volta aos
Estados Unidos, alista-se num Batalhão de Artilharia e mais tarde
matricula-se na Academia Militar de West Point. Era conhecido pelos
colegas como aquele que "Embarcou para Grécia num
baleeiro". É lógico que o ritmo de uma escola para Cadetes
do Exército não seria compatível ao gênio de Edgar. Ele se
concentrava muito mais em seus poemas do que nos estudos.
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Com o lançamento
de uma Compilação de Poemas (1831), o orgulhoso Edgar Allan Poe
abandona West Point e rompe relações com o pai adotivo (que se
casara recentemente e deixara Poe muito contrariado).
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Com 22 anos, poeta
de ofício, sujeito a devaneios, pobre e sem vontade inflexível,
consola-se publicando: "Poemas". De regresso a Baltimore,
em busca de seu irmão Willian, assiste à morte deste e entra nas
relações de uma tia, viúva com duas filhas, também pobre e sem
arrimo seguro. Vivendo em miséria profunda, durante 2 anos Edgar
consegue um pouco de triunfo ao vencer dois concursos de poesias.
Com uma certa fama, o editor Thomaz White entrega para Poe a direção
do "Southern Literary Messenger" em 1833. Pouco depois,
escreveria seu primeiro conto: "Uma Aventura sem paralelo de um
certo Hans Pfaal". Fica na direção da revista por 2 anos,
depois de ter escrito outros vários contos, poemas e resenhas.
Edgar Allan Poe já tinha uma certa reputação e um bom número de
leitores.
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Suas críticas
tiveram grande repercussão e os jornais, abrindo-lhes as portas e
as colunas de honra, decretando-lhe dias melhores. Com 27 anos, em
1836, ele casa-se com a prima de apenas 13 anos. Virgínia Clemn,
eis a mulher ideal que o destino lhe destinara para lhe ser a única.
A tia aceita o casamento desigual. Era sua esposa e musa. Virgínia
gostava de música, canto e poesia; o que deixava Edgar muito
entusiasmando. Em 1838 trabalha com Editor da Button's Gentleman
Magazine. Na companhia da Sra. Clemn o casal vivera na Filadélfia,
Nova York, Fordham, até que, de novo, a penúria lhe bate à porta.
A vida de intimidade conjugal será prolongada pela dedicação da
tia. Mas, as amarguras de Edgar Allan Poe não tinham limites. Virgínia,
indo cantar na casa de amigos, sofrera um acidente causando-lhe uma
forte hemorragia interna que a faz cair doente sem nunca mais
voltar. Em 1847, morre deixado o marido nas entranhas do luto e da
miséria espiritual.
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Em 1849. Poe reage
e publica o célebre poema "O Corvo" que o coloca
novamente no alto da literatura americana. Edgar não abandona a
tia. Esta constitui a lembrança viva de Virgínia. A Sra Helen
Whitman, de Boston, dar-lhe-á estímulos e apoio. Enfermo, ele
encontrara amigos e admiradores amigos e admiradores. Mas foi
preciso lutar. O álcool reduzira-o de modo estranho. A caça ao
dinheiro completara as impaciências, que o acabrunhavam. Seu
"Romance Cosmogônico" "Eureka" acaba por lhe
atribuir um renome literário enorme. Sua conduta provoca censuras,
acres da imprensa e da sociedade; mas o poeta cumpria as sentenças
do destino...
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A exemplos de
outros, resolve fazer "leituras" de seus poemas e contos
para um público de jornalistas e intelectuais antes de publicá-los.
Seus trabalhos lhe renderam mais honras e prestígio. O trabalho
fica cada vez mais cansativo e Poe se entrega mais e mais à bebida.
Poe volta a Richmore por uma temporada, mas acaba deixando-a por
Nova York na expectativa de deixar seu passado lúgubre para trás.
Chegando a Baltimore, suas conseqüências o abateram. Antes de de
seguir para a Filadélfia resolve entrar em Taverna à caça de
estimulantes. Aí encontram velhos amigos demorando-se mais do que
pretende, vencido, mal percebendo o andar do tempo. Na manhã
seguinte, os transeuntes encontram um homem agonizante, em abandono,
na sarjeta. Pouco depois descobrem que aquele homem sem documentos e
dinheiro era Edgar Allan Poe. Conduzido ao hospital, pouco resistiu,
morrendo aos 39 anos apenas, deixando uma obra opulenta, escrita
através de sacrifícios espantosos, de desordens implacáveis, de
desconcertos incríveis.
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